Mundo dos jogos

Masahiro Sakurai: IA vai multiplicar os jogos, mas não cria o que é novo

Criador de Smash Bros. e Kirby diz que a IA só copia o que existe, não o que ainda não foi feito

Mateus Lecchi Mateus Lecchi |
Masahiro Sakurai: IA vai multiplicar os jogos, mas não cria o que é novo

Masahiro Sakurai, criador de Super Smash Bros. e Kirby, acredita que a inteligência artificial vai aumentar ainda mais o número de jogos lançados, mas que a maioria deles será feita de cópias. A opinião foi dada em entrevista ao site japonês Denfaminico Gamer, publicada em 16/10 e repercutida pelo VGC na quinta-feira (22/10).

A conversa girou em torno do fim do Game Designers Award, prêmio que Sakurai criou em 2010 e presidiu por 16 anos, ao lado de jurados como Fumito Ueda (Ico), Toby Fox (Undertale) e Hidetaka Miyazaki (Dark Souls). A premiação, focada em originalidade, terminou em 2026. No discurso de encerramento, Sakurai disse que "uma indústria que perde algo como a originalidade só vai morrer lentamente", frase que repercutiu bastante no Japão.

"A maioria será de títulos que não se pagam"

Na entrevista, o Denfaminico lembrou que, quando o prêmio começou, a Steam recebia cerca de 275 jogos por ano, contra cerca de 19 mil hoje. "Acho 19 mil títulos impressionante, mas acho que esse número vai crescer ainda mais. Tenho certeza disso, porque a IA vai aumentar esse volume", respondeu Sakurai. "Porém, acho que a maior parte vai ser de títulos que não se pagam. Vão ser tantos que não dá nem para acompanhar."

Segundo ele, jogos feitos com IA ou produzidos às pressas tendem a só reproduzir sistemas já vistos em outros games. Como exemplo, citou Librarian: Tidy Up the Arcane Library!, jogo de 2026 em que o jogador arruma livros espalhados numa biblioteca mágica, com a ressalva de que não sabe se ele foi o original. Segundo Sakurai, como o sistema é simples, "como era de se esperar, apareceram muitos seguidores", com jogos de arrumar um supermercado revirado, recolocar parafusos ou achar uma agulha no palheiro. "Esse tipo de imitação deve ser muito fácil para a IA", afirmou.

Cena de Librarian: Tidy Up the Arcane Library!, com livros espalhados em uma biblioteca mágica

Imagem: ArtRising

O que a IA não consegue fazer

Para explicar o limite da tecnologia, Sakurai usou Fumito Ueda como exemplo. Segundo ele, talvez a IA consiga estudar o clima de Ico e Shadow of the Colossus e fazer algo parecido, mas não consegue criar o que Ueda vai fazer no futuro, como o próximo jogo dele, gen ATLAS. "Basicamente, a IA consulta o que já foi feito, mas não consegue consultar o que nunca existiu", disse.

Para Sakurai, é aí que está a originalidade que só as pessoas têm. Na leitura do VGC, isso faz com que desenvolvedores realmente criativos fiquem ainda mais importantes. O próprio Sakurai admitiu que colocar algo original num jogo é "mais difícil do que se imagina", porque, sem um exemplo anterior, até explicar a ideia para a equipe é complicado.

Fonte: Denfaminico Gamer

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