Mundo dos jogos

Presidente da Konami diz que IA não substitui a química entre desenvolvedores

Hideki Hayakawa acredita que pessoas seguem sendo o fator decisivo para criar jogos de sucesso

Mateus Lecchi Mateus Lecchi |
Presidente da Konami diz que IA não substitui a química entre desenvolvedores

Enquanto boa parte da indústria discute até onde a inteligência artificial generativa vai mexer na produção de jogos, a Konami deixou clara a sua posição: quem faz a diferença continua sendo gente. Hideki Hayakawa, presidente da Konami Digital Entertainment, afirmou que não espera uma grande transformação no mercado por causa da IA.

As declarações estão no Relatório Integrado 2026 da Konami, documento voltado a investidores que resume a estratégia do grupo. Os comentários foram destacados primeiro pelo site japonês Dengeki Online, em 15 de outubro, e depois ganharam repercussão na imprensa ocidental.

A barreira de entrada já tinha caído

Hayakawa reconhece a ideia, bastante repetida por aí, de que a IA vai facilitar tanto o desenvolvimento que praticamente qualquer pessoa vai conseguir criar um jogo. Só que, na visão dele, isso não deve virar o mercado de cabeça para baixo. O executivo lembra que essa barreira já vinha caindo há anos, graças às engines de uso geral e às plataformas de conteúdo criado pelos próprios jogadores.

Segundo ele, mesmo que a IA traga ganhos de eficiência na produção, os fatores mais importantes para fazer games divertidos e inovadores continuam sendo as pessoas e os criadores. Hayakawa destaca o encontro de profissionais com bagagens diferentes dentro de uma mesma equipe, que trocam ideias e chegam a formas novas de jogar. Ele chama isso de uma espécie de "reação química" e diz que não é algo fácil de substituir.

Cena de Silent Hill: Townfall, um dos jogos recentes da Konami

Tecnologia como oportunidade, mas com cuidado

Isso não quer dizer que a Konami vá fechar as portas para ferramentas novas. Hayakawa vê os avanços tecnológicos como uma grande chance de criar experiências inéditas e afirma que a empresa dá apoio estruturado para que os criadores entendam essas tecnologias, avaliem os riscos envolvidos e consigam aplicá-las com segurança no desenvolvimento.

O discurso chega num momento em que a Konami voltou com tudo aos jogos de grande orçamento. Depois de anos apostando principalmente em eFootball e coletâneas, a empresa vem colhendo bons resultados com Silent Hill 2, Silent Hill f e Silent Hill: Townfall, além de investir em novos títulos e remakes de Metal Gear e no retorno de Castlevania com Belmont's Curse, desenvolvido pela Evil Empire e pela Motion Twin. Em agosto, o produtor Motoi Okamoto chegou a dizer ao GamesRadar que a meta é lançar novos jogos de Silent Hill todos os anos.

Fonte: Konami (Relatório Integrado 2026)

Galeria (2 fotos)

Compartilhar

Notícias Relacionadas