Jensen Huang diz que GPUs de IA da NVIDIA podem durar oito anos ou mais
Na GTC Berlim, CEO defende usar os chips como garantia de empréstimos para financiar data centers
Quanto tempo uma GPU de inteligência artificial continua valendo dinheiro? Para Jensen Huang, CEO da NVIDIA, bem mais do que o mercado imaginava. Em entrevista à jornalista Deirdre Bosa, do Yahoo Finance, durante a GTC Berlim na quarta-feira (21/10), o executivo disse que o ciclo de vida dos chips da empresa dobrou.
"O que as pessoas pensavam ser um ciclo de vida de quatro anos provavelmente é de oito, talvez mais", afirmou Huang.
Por que os chips durariam mais
O argumento tem três partes. Primeiro, os sistemas da NVIDIA são tão usados e têm desempenho tão alto que seguem produtivos por muito tempo. Segundo, como são programáveis, a empresa continua melhorando o software durante toda a vida do equipamento. Terceiro, sempre existe alguém disposto a usar essa capacidade de processamento.
"Então ele é produtivo, é fungível e é durável", resumiu o CEO. Segundo a NVIDIA, clientes ainda pedem processadores da arquitetura Ampere, lançada há seis anos, e o mesmo deve valer para gerações mais novas, como a Vera Rubin.

Imagem: NVIDIA
GPU como garantia de empréstimo
A consequência mais prática da tese é financeira. Se a GPU mantém valor por tanto tempo, ela pode servir de lastro para a dívida usada na construção de data centers. "As pessoas agora estão reconhecendo que a computação da NVIDIA tem um grande valor residual", disse Huang. "Você poderia fazer um empréstimo tendo o próprio ativo como garantia."
A ideia já está em andamento. Em agosto, a NVIDIA assinou memorandos de entendimento com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para montar um fundo de US$ 500 bilhões voltado à infraestrutura de data centers. No keynote de abertura da GTC Berlim, no mesmo dia, Huang estimou que cada gigawatt de capacidade de IA custa cerca de US$ 50 bilhões e pode render perto de US$ 40 bilhões por ano.
Musk e investidores reforçam o coro
Huang não está sozinho. Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da SpaceX, na terça-feira (20/10), Elon Musk disse que o valor da computação por watt aumenta com o tempo, porque modelos melhores extraem mais do mesmo hardware, e citou GPUs H100 antigas que hoje são alugadas por mais do que quando eram novas. Já Gavin Baker, da gestora Atreides, afirmou numa sessão da NVIDIA antes do keynote da GTC Berlim, segundo o Wccftech, que o preço do aluguel de uma hora de GPU "ficou vertical".
Vale lembrar que todos têm interesse direto na tese: a NVIDIA vende os chips, a SpaceX aluga capacidade de computação e a Atreides tem ações da NVIDIA. O assunto pesa no mercado porque, se as GPUs perdessem valor em três ou quatro anos, as gigantes de nuvem estariam subestimando a depreciação de investimentos bilionários, uma crítica que analistas vêm fazendo desde o ano passado.
Fonte: Yahoo Finance