Nova GPU da Arm leva tecnologia parecida com DLSS aos jogos mobile
Mali G2-Ultra NX usa IA para ampliar resolução, criar quadros e melhorar o ray tracing.
A Arm apresentou nesta terça-feira (8) a Mali G2-Ultra NX, sua primeira GPU móvel desenvolvida desde o início para gráficos baseados em inteligência artificial. A arquitetura traz aceleradores neurais integrados aos núcleos de processamento e promete reconstruir imagens, criar quadros intermediários e melhorar cenas com ray tracing em celulares.
A comparação com o DLSS é apenas didática. A tecnologia pertence à NVIDIA e não faz parte da GPU da Arm. A semelhança está no uso de redes neurais para reduzir parte do trabalho da renderização tradicional, buscando mais qualidade visual e fluidez dentro dos limites de energia e temperatura dos dispositivos móveis.
Como funciona a tecnologia da nova GPU da Arm
A Mali G2-Ultra NX combina processamento gráfico tradicional com unidades dedicadas a tarefas de inteligência artificial. Segundo a Arm, essa integração reduz a movimentação de dados e permite que os cálculos neurais ocorram no mesmo pipeline usado pelos gráficos do jogo.
O Neural Super Sampling (NSS) renderiza a imagem em uma resolução menor e usa informações de quadros anteriores, movimento e profundidade para reconstruir uma saída de resolução mais alta. O objetivo é diminuir a carga sobre a GPU sem perder nitidez.
O Neural Frame Rate Upscaling (NFRU) analisa dois quadros renderizados e gera um quadro intermediário com auxílio de fluxo óptico. A proposta é aumentar a sensação de fluidez sem exigir que todos os quadros sejam produzidos da maneira convencional.
Já o Neural Super Sampling and Denoising (NSSD) une reconstrução de imagem e redução de ruído. O recurso foi pensado principalmente para cenas com ray tracing, nas quais iluminação, sombras e reflexos exigem mais processamento.
Desempenho prometido pela Arm
A fabricante afirma que a demonstração Neural Dawn, desenvolvida em parceria com a Sumo Digital, alcançou até quatro vezes mais eficiência de desempenho e reduziu em até 70% o tráfego para a memória externa na comparação com a renderização nativa. Esses resultados foram obtidos em um projeto técnico controlado pela própria empresa.
A Arm também informa ganhos de até 24% em benchmarks e de até 14% em jogos sem recursos neurais, sempre em comparação com a geração anterior. Em outra demonstração, o uso de Opacity Micromaps aumentou a taxa de quadros em 30% e reduziu em até 70% determinada carga de ray tracing.
Os números são promissores, mas ainda não representam testes independentes em celulares disponíveis no mercado. Desempenho, qualidade de imagem, consumo de bateria e temperatura poderão variar de acordo com o processador, o aparelho e a implementação feita por cada estúdio.
Jogos e ferramentas compatíveis
A Arm afirma que a tecnologia já está sendo integrada a projetos comerciais. Where Winds Meet deve receber uma versão com NSS, enquanto Infinity Nikki aparece entre os jogos em processo de integração. Arena Breakout: Infinite é usado em uma demonstração técnica com NSSD.
A empresa também trabalha com Tencent Games, Unity China e desenvolvedores de engines. O Neural Graphics Development Kit oferece suporte a Vulkan, plugins para Unreal Engine e ferramentas para que estúdios testem reconstrução de imagem e geração de quadros em seus próprios projetos.
Isso não significa que todos esses jogos terão imediatamente o conjunto completo de funções. Cada recurso precisa ser adotado e configurado pelo desenvolvedor, assim como ocorre com tecnologias semelhantes no PC.
O que ainda não sabemos
A Arm ainda não divulgou uma lista de celulares, processadores ou fabricantes que lançarão produtos com a Mali G2-Ultra NX. Também não há uma data única de chegada ao mercado, porque a arquitetura precisa ser licenciada e integrada pelos parceiros da companhia.
Celulares atuais não receberão os aceleradores neurais por atualização de software. Além do hardware compatível, os jogos precisam fornecer informações de movimento e profundidade e implementar as ferramentas da Arm.
A geração de quadros pode deixar a animação visualmente mais suave, mas não substitui uma boa taxa de quadros nativa nem garante menor latência. A qualidade final dependerá especialmente da taxa de atualização usada como base e do tratamento de movimentos rápidos, interfaces e efeitos transparentes.
A disputa por gráficos de IA chega aos celulares
A Mali G2-Ultra NX mostra que recursos associados aos PCs e consoles estão avançando para os jogos mobile. O desafio da Arm será transformar demonstrações técnicas em resultados consistentes dentro de aparelhos finos, alimentados por bateria e sujeitos a limites térmicos mais rígidos.
Para o jogador, o benefício potencial é executar cenas mais complexas, com resolução maior e movimentos mais suaves, sem elevar o consumo na mesma proporção. A confirmação real desse avanço, porém, dependerá dos primeiros celulares e jogos comerciais com a nova GPU.
Assista abaixo à demonstração oficial de Neural Dawn, projeto criado pela Arm e pela Sumo Digital para apresentar as tecnologias neurais em funcionamento:
Fonte: Arm