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Amazon fecha parceria com Qualcomm para criar chips de IA para a AWS

Colaboração prevê silício personalizado para data centers e conexões ópticas de até 1,6 Tb/s.

Pablo Mickey Pablo Mickey |
Amazon fecha parceria com Qualcomm para criar chips de IA para a AWS

Amazon e Qualcomm anunciaram nesta terça-feira (8) uma parceria de várias gerações para desenvolver chips personalizados de inteligência artificial voltados aos data centers da Amazon Web Services, a AWS. O acordo amplia a atuação da Qualcomm no mercado de infraestrutura de IA e reforça o movimento das grandes empresas de tecnologia para criar alternativas aos fornecedores tradicionais.

Segundo a Qualcomm, a colaboração terá foco em soluções de silício desenvolvidas sob medida para operações de inteligência artificial em larga escala, especialmente na etapa de inferência. As empresas também pretendem trabalhar juntas em tecnologias de conexão óptica para acompanhar o crescimento da quantidade de dados processada pelos data centers.

Como funcionará a parceria entre Amazon e Qualcomm

A Qualcomm afirmou que trabalhará com a Amazon em várias gerações de chips personalizados para a infraestrutura de IA da AWS. O objetivo é combinar a experiência da Amazon em serviços de nuvem e operação de data centers com a capacidade da Qualcomm de projetar processadores de baixo consumo e sistemas integrados.

O acordo não representa o lançamento de um único chip disponível imediatamente para consumidores. Trata-se de uma colaboração de longo prazo, na qual as duas empresas deverão definir diferentes soluções conforme as necessidades dos data centers e dos serviços de inteligência artificial.

A Qualcomm também informou que pretende ampliar o uso da infraestrutura de IA da AWS, incluindo o Amazon Bedrock, em tarefas de automação eletrônica usadas no projeto de chips. A expectativa declarada pela empresa é reduzir o tempo necessário para algumas etapas de desenvolvimento.

O que é a inferência de inteligência artificial

A inferência é a etapa em que um modelo de inteligência artificial já treinado é utilizado para responder a comandos, gerar textos, interpretar imagens ou realizar outras tarefas.

Ela é diferente do treinamento inicial do modelo, que costuma exigir grandes volumes de dados e enorme capacidade computacional. A inferência acontece repetidamente sempre que um usuário interage com um serviço de IA, o que transforma eficiência, custo e consumo de energia em fatores importantes para os provedores de nuvem.

Ao desenvolver chips personalizados para essa finalidade, a Amazon pode ajustar a infraestrutura da AWS às características dos próprios serviços e tentar controlar melhor custos, desempenho e consumo energético.

Conexões ópticas podem chegar a 1,6 terabit por segundo

Além dos processadores, Amazon e Qualcomm afirmaram que vão desenvolver soluções de conectividade óptica para as redes internas dos data centers.

A Qualcomm mencionou tecnologias capazes de atingir até 1,6 terabit por segundo em futuras soluções. Essa capacidade é importante porque os sistemas de IA não dependem apenas da velocidade dos chips. Eles também precisam trocar grandes volumes de dados entre processadores, memória, armazenamento e equipamentos de rede.

A parceria deverá utilizar tecnologias da Qualcomm relacionadas a SerDes e processamento de sinais ópticos. Na prática, a proposta é aumentar a largura de banda disponível para conectar diferentes partes da infraestrutura de IA.

Os valores envolvidos no acordo

De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a Amazon poderá comprar até US$ 60 bilhões em chips e produtos relacionados à infraestrutura de data centers de IA da Qualcomm ao longo da parceria.

Esse valor não deve ser tratado como um pagamento imediato ou como uma compra já concluída. Trata-se de uma estimativa de negócios associada ao acordo de longo prazo e à aquisição de produtos ao longo dos próximos anos.

A Qualcomm também concedeu à Amazon garantias que podem permitir a compra de aproximadamente US$ 4 bilhões em ações da fabricante. O preço definido para esses papéis seria de US$ 161,26 por ação, com a liberação das garantias vinculada a compras de produtos.

Na prática, o componente financeiro relaciona o direito de compra de ações ao desenvolvimento do relacionamento comercial entre as duas empresas. O acordo não significa que a Amazon tenha transferido imediatamente US$ 4 bilhões para a Qualcomm.

Por que a Qualcomm quer crescer além dos smartphones

A Qualcomm é conhecida principalmente pelos processadores Snapdragon usados em celulares, mas a empresa vem tentando ampliar sua presença em outros mercados.

O setor de data centers é uma das áreas mais disputadas da atual corrida por inteligência artificial. Empresas de nuvem procuram alternativas para reduzir custos, diversificar fornecedores e desenvolver chips mais adequados às suas próprias plataformas.

A Qualcomm tem experiência em processamento eficiente e baixo consumo de energia, características que podem ser importantes em data centers que precisam operar continuamente e em grande escala.

Segundo a Reuters, a Qualcomm espera que sua divisão de chips para data centers alcance receita anual de até US$ 15 bilhões até 2029. Essa é uma previsão da empresa e não uma garantia de resultado.

A Amazon já desenvolve chips próprios

A Amazon não depende exclusivamente de produtos de terceiros. A AWS já trabalha com chips próprios, como as linhas Graviton, para processadores de uso geral, e Trainium e Inferentia, voltadas a cargas de trabalho de inteligência artificial.

A colaboração com a Qualcomm não significa necessariamente que esses projetos serão abandonados. A empresa pode utilizar diferentes fornecedores e arquiteturas para atender a tipos distintos de serviço, equilibrando custo, desempenho e disponibilidade.

A parceria pode ser entendida como uma tentativa de ampliar o número de opções disponíveis para a AWS e acelerar o desenvolvimento de novas soluções personalizadas.

O acordo ameaça a NVIDIA?

A NVIDIA continua sendo uma das empresas mais importantes do mercado de chips para inteligência artificial, especialmente em soluções utilizadas para treinamento e processamento de modelos avançados.

O acordo entre Amazon e Qualcomm aumenta a concorrência no setor, mas não indica que a NVIDIA será substituída imediatamente. A AWS continua oferecendo infraestrutura baseada em diferentes tecnologias, e ainda não foram divulgados detalhes suficientes sobre desempenho, volume de produção ou adoção comercial dos futuros chips da Qualcomm.

A principal consequência do anúncio é mostrar que a disputa por infraestrutura de IA está se tornando mais ampla. Além da NVIDIA, empresas como AMD, Google, Microsoft, Amazon, Meta, Marvell e Qualcomm também estão desenvolvendo ou contratando soluções próprias para o mercado.

O que ainda não foi informado

Amazon e Qualcomm não divulgaram o nome comercial dos futuros chips, especificações completas, quantidade de unidades, cronograma de produção ou data de disponibilidade para clientes da AWS.

Também não há informações detalhadas sobre o desempenho esperado, o consumo de energia ou quais serviços da Amazon utilizarão primeiro as soluções desenvolvidas em conjunto.

Esses pontos serão importantes para avaliar se o acordo terá impacto real no mercado ou se ficará restrito a uma colaboração de desenvolvimento durante os primeiros anos.

A parceria ainda dependerá de etapas de projeto, fabricação, validação e integração nos data centers. Por isso, os números divulgados neste momento devem ser tratados como metas, previsões ou potenciais comerciais, e não como resultados já comprovados.

Conclusão

A parceria entre Amazon e Qualcomm mostra como a corrida por inteligência artificial está avançando para além do desenvolvimento de modelos e aplicativos.

Os data centers precisam de chips especializados, redes mais rápidas e soluções capazes de operar com eficiência durante longos períodos. Ao trabalhar em processadores personalizados e conexões ópticas de até 1,6 terabit por segundo, as empresas tentam responder a esse desafio em diferentes frentes.

Para a Qualcomm, o acordo representa uma oportunidade de entrar com mais força no mercado de infraestrutura de IA. Para a Amazon, a parceria pode ampliar as opções da AWS e ajudar a reduzir a dependência de poucos fornecedores.

Ainda é cedo para saber quais produtos chegarão ao mercado e qual será o desempenho deles. O que já está confirmado é que a disputa por chips de inteligência artificial ganhou mais um participante importante e que as grandes empresas de nuvem continuam investindo em alternativas próprias.

Fonte: Qualcomm, Reuters

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