Ex-chefe do PlayStation critica fim dos discos: "se não possui, o que está comprando?"
Shawn Layden discorda da Sony sobre o fim dos discos e questiona a posse de jogos digitais
Shawn Layden, que comandou o PlayStation Worldwide Studios até 2019, voltou a cutucar a Sony por causa do plano de abandonar os discos. Em participação no podcast The Expansion Pass, repercutida pela GamesRadar+ em 5 de outubro, o executivo foi direto: "Eu não concordo com essa decisão".
A fala chega poucos meses depois de a Sony confirmar que vai encerrar a fabricação própria de discos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A virada vem sendo debatida desde então e reacendeu uma discussão antiga entre quem ainda faz questão de ter a caixinha na estante.
Os 20% que fazem diferença
Layden reconhece que a mídia física já virou minoria no mercado, algo em torno de um quinto das vendas. Mesmo assim, para ele, esse é "um grupo de 20% superimportante". Estamos falando do público mais fiel da marca: colecionadores e jogadores que compram no lançamento, guardam edições especiais e mantêm a biblioteca física viva.
Na visão do ex-executivo, deixar esse pessoal de lado pode até fazer sentido na planilha, mas custa caro em relacionamento com a comunidade.

Afinal, você é dono do jogo?
O ponto mais forte da conversa foi sobre posse. Layden argumenta que o fim do disco muda o debate de "você tem um jogo?" para "você tem acesso a um item digital?". E completa com a lógica do mercado de usados: "Se você não pode vender uma coisa, significa que você não é dono dela".
Daí veio a frase que virou manchete: "Se você não possui, então o que está comprando?". Com bom humor, ele ainda admitiu que "comprar acesso" não soa tão atraente assim como argumento de venda.
Não é a primeira vez que ele toca no assunto. Em setembro, Layden já tinha chamado o cenário de "deprimente, mas solucionável", sugerindo que a Sony licenciasse a produção a fabricantes terceirizados, como faz a Microsoft, e alertou que decisões impopulares assim podem arranhar a imagem do PlayStation.
Para quem joga no Brasil, onde a internet nem sempre colabora e o mercado de usados sempre foi forte, a discussão pesa ainda mais. Resta saber se a Sony vai rever algo até 2028 ou se o disco vai mesmo virar peça de colecionador.
Fonte: GamesRadar+