Qualcomm licencia tecnologia de chips LogicFolding da Huawei em acordo de patentes
Acordo cruzado inclui 5G, IA e redes e valida a aposta chinesa em semicondutores
Em um movimento que ninguém esperaria alguns anos atrás, a Qualcomm vai licenciar tecnologia de chips da Huawei. As duas empresas anunciaram em 5 de outubro um acordo plurianual de licenciamento cruzado de patentes e, segundo a Bloomberg, o pacote inclui patentes ligadas à LogicFolding, técnica de fabricação de chips desenvolvida pela gigante chinesa.
De acordo com o comunicado oficial da Huawei, o acerto cobre tecnologias de 5G, computação, inteligência artificial e redes. Além das licenças mútuas, a Qualcomm também vai comprar algumas patentes americanas da Huawei nessas áreas. Os valores não foram divulgados, e a conclusão do negócio depende de aprovação regulatória.

O que é a LogicFolding
A LogicFolding é a aposta da Huawei para extrair mais desempenho dos seus semicondutores sem depender das máquinas de litografia EUV (ultravioleta extremo) da ASML, padrão da indústria para fabricar os chips mais avançados. Por causa das sanções dos Estados Unidos, a China não tem acesso a esses equipamentos, e a solução foi focar na arquitetura, melhorando a forma como os dados circulam dentro do chip em vez de depender só da miniaturização.
Ter uma empresa do porte da Qualcomm pagando para usar essa tecnologia funciona como um selo de validação internacional para o avanço chinês no setor.
Números e contexto
Segundo a Bloomberg, o acordo passará por revisão da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), exigida para transações acima de US$ 133,9 milhões.
A Huawei estima que, com a Qualcomm, o valor total dos seus contratos de licenciamento de patentes vai passar de US$ 6,9 bilhões.
Para Alan Fan, chefe de propriedade intelectual da Huawei, o acordo mostra o valor das inovações da empresa e reconhece as contribuições fundamentais da Qualcomm.
A virada chama atenção pela história recente: antes das restrições impostas no governo Trump, a Huawei comprava chips da Qualcomm para seus celulares. Sem esse acesso, passou a projetar e produzir cada vez mais semicondutores dentro da China, inclusive para IA e data centers. Agora, a relação se inverte em parte, com a fabricante americana interessada no que a chinesa desenvolveu nesse período.
Fonte: Bloomberg