"Naughty Dog existe para vender consoles da Sony", diz ex-artista de The Last of Us
Matt Radford, ex-Naughty Dog, diz que estúdio é vitrine do PlayStation e compara jogos a catedrais
Por que a Naughty Dog pode passar anos produzindo um único jogo, com orçamentos que outras empresas nem sonham em aprovar? Para Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais do estúdio que trabalhou em The Last of Us e Uncharted 4, a resposta é simples: a missão da casa não é dar lucro sozinha, e sim vender PlayStation.
A declaração foi dada em entrevista ao podcast Kiwi Talkz e repercutida pelo GamesRadar+ em 6 de outubro de 2026. "Pelo que eu entendo, a Naughty Dog existe para vender hardware da Sony", resumiu Radford. Na visão dele, a Sony ganha dinheiro com o console, e o estúdio funciona como uma espécie de vitrine, aquele jogo que faz alguém decidir que vale a pena comprar o aparelho. Por isso, segundo ele, a equipe não precisa ser tão guiada por lucro quanto outras desenvolvedoras.

Jogos como catedrais
Radford também demonstrou preocupação com o futuro desse modelo. Ele citou um custo na casa dos US$ 600 milhões para produções desse porte e questionou se, um dia, ainda haverá quem banque algo assim. Vale reforçar: o número é uma estimativa dele, já que a Naughty Dog nunca divulgou oficialmente o orçamento de seus jogos.
Para ilustrar o ponto, o artista comparou os títulos do estúdio a catedrais antigas, obras feitas à mão que dificilmente seriam reproduzidas hoje porque o conhecimento e a mão de obra daquela época se perderam. Ele imagina que, no futuro, as pessoas vão olhar para Uncharted 4, The Last of Us Part II e o ainda inédito Intergalactic: The Heretic Prophet e se impressionar com a atuação, o roteiro e a arte feitos de forma artesanal. "Só espero que isso continue acontecendo", disse.
Um argumento que perdeu força?
A tese faz sentido historicamente, mas o cenário mudou. A Sony passou a lançar seus grandes jogos no PC um ou dois anos depois da estreia no PS5, e The Last of Us Part II e a coleção de Uncharted já estão na Steam. Com isso, o console deixou de ser o único lugar para jogar essas aventuras, o que enfraquece a ideia de que elas existem apenas para empurrar hardware.
De qualquer forma, é bom lembrar que essa é a leitura de um ex-funcionário, não uma posição oficial da Sony. Ainda assim, ajuda a entender por que poucas empresas topam financiar jogos de ação focados em história com o nível de acabamento que virou marca registrada da Naughty Dog.
Fonte: Kiwi Talkz