Hardware

Lenovo, HP e Dell miram clientes corporativos para driblar a alta da memória

Marcas receberam só 70% a 80% da DRAM e dos SSDs pedidos e fecham contratos longos para 2027

Mateus Lecchi Mateus Lecchi |
Lenovo, HP e Dell miram clientes corporativos para driblar a alta da memória

A crise da memória está mudando a estratégia das maiores fabricantes de computadores. Segundo o site coreano ETNews, Lenovo, HP e Dell estão reequilibrando os negócios para dar mais peso aos clientes corporativos, enquanto garantem o fornecimento de memória até 2027 com contratos de longo prazo.

De acordo com um executivo ouvido pelo ETNews e citado pelo Wccftech, essas empresas receberam apenas de 70% a 80% do volume de DRAM e SSDs que encomendaram no primeiro semestre. Os acordos de longo prazo, chamados de LTAs (Long-Term Agreements), servem justamente para evitar que isso se repita: segundo a mesma fonte, a compra de componentes para o ano que vem não deve ser um problema. Vale reforçar: o relato vem de um executivo do setor que não foi identificado, e nem Lenovo, nem HP, nem Dell comentaram as informações.

Consumidor comum adia a compra

O motivo da virada aparece nos números. Com a disparada no preço dos componentes, as fabricantes repassaram os custos, e o público respondeu adiando ou desistindo da troca de máquina. Segundo estimativas da consultoria Omdia, os envios globais de PCs caíram 21% no terceiro trimestre de 2026 na comparação anual, com alta de dois dígitos no preço médio de venda. A projeção é de mais 7% de queda em 2027.

Curiosamente, essa retração aliviou um pouco a pressão sobre a memória: com menos PCs vendidos ao consumidor, sobra mais DRAM para o resto da cadeia.

Profissional usa um notebook Lenovo numa mesa de trabalho, com outro funcionário ao fundo

Imagem: Lenovo

Empresas pagam mais e compram com previsibilidade

Do lado corporativo, a demanda segue firme. A adoção de IA no dia a dia das empresas estimula a renovação de notebooks e desktops de funcionários, e os chamados PCs com IA, capazes de rodar tarefas localmente sem depender da nuvem, são os grandes beneficiados. Segundo a Omdia, eles representaram 48,3% dos envios nos Estados Unidos no segundo trimestre e devem passar de 50% no terceiro. No mesmo período, os PCs premium, acima de US$ 1.500, cresceram 36,8%.

Na prática, o cliente empresarial é menos sensível a aumentos, compra máquinas de margem maior e faz pedidos grandes e previsíveis. Ou seja, com a memória cada vez mais cara, atender esse público protege melhor o lucro do que disputar um consumidor que está encolhendo. Para quem pretende montar ou trocar de PC em casa, o recado é que a pressão nos preços não deve aliviar tão cedo.

Fonte: Wccftech

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