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Embark endurece combate aos hackers enquanto ARC Raiders perde 95% do pico na Steam

Estúdio já baniu dezenas de milhares e aposta na atualização Frozen Trail para recuperar jogadores

Pablo Mickey Pablo Mickey | | ARC Raiders News
Embark endurece combate aos hackers enquanto ARC Raiders perde 95% do pico na Steam

ARC Raiders atravessa seu momento mais delicado desde o lançamento. Depois de se transformar em um dos maiores fenômenos de 2025, o jogo da Embark Studios viu sua população simultânea na Steam cair cerca de 95% em relação à média registrada no período de estreia. Ao mesmo tempo, hackers, exploração de falhas e reclamações sobre a falta de conteúdo aumentaram a pressão sobre o estúdio.

A Embark afirma que está reagindo. A empresa reforçou suas ferramentas de detecção, passou a trabalhar com Anybrain e Denuvo Anti-Cheat, ampliou as punições para contas vinculadas e prepara Frozen Trail, descrita como a maior atualização de ARC Raiders desde o lançamento, para 8 de outubro de 2026.

ARC Raiders realmente perdeu 95% dos jogadores?

O número exige contexto. ARC Raiders alcançou um pico histórico de aproximadamente 482 mil jogadores simultâneos na Steam em novembro de 2025. Naquele mês, a média ficou em cerca de 264 mil usuários simultâneos. Nos últimos 30 dias, a média caiu para aproximadamente 24 mil, segundo o Steam Charts.

Na comparação entre as médias, a retração fica próxima de 91%. Já quando a média atual é comparada ao pico histórico, a diferença passa de 95%. Portanto, dizer apenas que o jogo “perdeu 95% do público” simplifica demais o cenário: os dados disponíveis medem jogadores simultâneos na Steam, não o total de compradores, usuários ativos em todas as plataformas ou pessoas que abandonaram definitivamente o jogo.

A queda, ainda assim, é forte. O jogo saiu de picos superiores a 450 mil jogadores nos primeiros meses para picos diários na faixa de 30 mil em agosto de 2026. Além disso, as avaliações recentes na Steam chegaram ao patamar “Neutras”, indicando que o desgaste não está apenas nos números, mas também na percepção da comunidade.

Uma queda grande depois do lançamento é normal

Como jogador, não considero anormal que a maior parte do público do lançamento deixe o jogo algum tempo depois. Todo grande lançamento reúne curiosos, criadores de conteúdo, grupos de amigos e jogadores que querem apenas conhecer a novidade. Parte desse público termina o conteúdo disponível, migra para outros jogos ou retorna apenas quando chega uma atualização relevante.

O que realmente define a saúde de um jogo de serviço contínuo não é manter para sempre o pico da estreia — isso quase nunca acontece. O ponto decisivo é encontrar uma base estável, manter partidas cheias, oferecer conteúdo em um ritmo saudável e criar motivos para que os jogadores antigos voltem.

ARC Raiders ainda reúne dezenas de milhares de pessoas simultaneamente apenas na Steam, sem contar PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Esse número seria excelente para muitos jogos. O problema é a velocidade da queda e a combinação de fatores que a acompanha: hackers, exploits, cansaço da progressão e a sensação de que as atualizações anteriores não transformaram suficientemente a experiência.

A guerra da Embark contra hackers

O crescimento explosivo de ARC Raiders também tornou o jogo um alvo atraente para vendedores de cheats. Relatos de aimbot, wallhack e outras ferramentas ilegais se tornaram frequentes, especialmente entre jogadores mais dedicados e criadores de conteúdo.

Em agosto, a Embark informou que melhorias realizadas em conjunto com Anybrain e Denuvo Anti-Cheat permitiram agir rapidamente contra “um grande número de contas” que utilizavam programas de trapaça popularizados recentemente. A desenvolvedora também disse estar trabalhando para dificultar a criação de novas contas e garantir punições permanentes para trapaceiros reincidentes e casos evidentes.

Outra medida liga as punições às contas associadas. Se uma conta conectada for usada para trapacear, outras contas vinculadas também poderão ser atingidas. A intenção é fechar brechas usadas para retornar ao jogo depois de um banimento. Por isso, a própria Embark recomenda senha exclusiva, autenticação em dois fatores e que os jogadores nunca compartilhem seus dados de acesso.

Quantas contas já foram banidas?

A Embark não publicou um contador exato e atualizado. A informação mais concreta veio do CEO Patrick Söderlund, que afirmou que o estúdio já havia banido “provavelmente dezenas de milhares de jogadores”.

Segundo Söderlund, a empresa foi “bastante agressiva” no combate às trapaças, mas precisa tomar cuidado para punir apenas quem realmente merece. O executivo estimou que entre 0,1% e 1% do público de grandes jogos multiplayer pode estar trapaceando e, portanto, sujeito a suspensões temporárias ou banimentos permanentes.

“O processo de banimento é delicado, porque precisamos ter certeza de que estamos banindo as pessoas que merecem ser banidas.”

— Patrick Söderlund, CEO da Embark Studios

O CEO contou ainda que percebeu o efeito das punições pelo aumento de pessoas tentando entrar em contato com o estúdio e diretamente com ele para alegar inocência. Para Söderlund, isso é um sinal de que o sistema começou a atingir quem utilizava trapaças. Ao mesmo tempo, ele reconheceu a necessidade de corrigir rapidamente eventuais falsos positivos para não prejudicar jogadores legítimos.

Exploradores de falhas também estão sendo punidos

A ofensiva não se limita a programas externos. Em julho, depois de corrigir uma falha de duplicação de itens, a Embark começou a punir contas que obtiveram vantagem significativa com o exploit. Casos mais graves receberam suspensões, enquanto abusos de menor impacto resultaram em advertências e remoção de moedas e itens adquiridos indevidamente.

A postura é importante porque, em um extraction shooter, a economia faz parte do equilíbrio competitivo. Duplicar recursos não afeta apenas o inventário de quem explora a falha: altera o valor do saque, reduz a importância do risco e prejudica quem progride de maneira legítima.

Frozen Trail chega em 8 de outubro

A principal aposta para recuperar o interesse da comunidade é Frozen Trail. A atualização será lançada em 8 de outubro e, segundo a Embark, praticamente todas as áreas do jogo se beneficiarão do que o estúdio aprendeu nos últimos meses.

O pacote levará os Raiders para uma região congelada além das montanhas, na borda do Rust Belt. O novo mapa será o maior já criado para o jogo e terá forte verticalidade, com casas abandonadas, vilarejos, fábricas, instalações de pesquisa e um observatório. A narrativa começa quando Shani detecta um sinal sem precedentes vindo do outro lado das montanhas.

Principais novidades confirmadas

  • Maior mapa de ARC Raiders até hoje, ambientado em uma região congelada;

  • novas máquinas ARC, incluindo ameaças pequenas e ágeis e uma máquina de escala gigantesca;

  • nova ARC Operation voltada a Raiders experientes, com decisões importantes e maior necessidade de cooperação;

  • Outpost, um novo espaço de progressão na superfície que poderá ser ocupado, desenvolvido e decorado;

  • mudanças na árvore de habilidades, com maior liberdade para definir o estilo de cada Raider;

  • revisão dos Raider Decks, que deverão se tornar mais interessantes e recompensadores;

  • novas missões, armas, dispositivos, opções de personalização, cosméticos e instrumentos;

  • melhorias contínuas em matchmaking, estabilidade, qualidade de vida e anti-cheat.

A atualização também promete avançar uma das maiores perguntas do universo do jogo: o que são as máquinas ARC e de onde elas vieram. Mais detalhes oficiais serão revelados pela Embark em setembro.

Frozen Trail pode trazer os jogadores de volta?

Uma atualização não apaga sozinha meses de frustração. Se os hackers continuarem aparecendo com frequência, qualquer pico de retorno em outubro poderá durar pouco. O mesmo vale se a nova progressão for apenas uma camada adicional de grind ou se o mapa não oferecer experiências realmente diferentes.

Por outro lado, Frozen Trail reúne exatamente os elementos que ARC Raiders precisa neste momento: um mapa de grande escala, objetivos de longo prazo, novas ameaças, progressão reformulada e melhorias estruturais. Não é necessário recuperar os quase 482 mil jogadores simultâneos do auge para o jogo ser bem-sucedido. É mais importante interromper a queda, reconstruir a confiança e consolidar uma comunidade estável.

Na minha opinião como jogador, o futuro de ARC Raiders não depende de voltar aos números do lançamento. Depende de a Embark mostrar que consegue proteger as partidas, respeitar o tempo investido pela comunidade e transformar as atualizações em motivos reais para retornar. Frozen Trail será o maior teste dessa capacidade até agora.

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