Data center de IA de R$ 7,4 bilhões é planejado para Baixo Guandu (ES)
Projeto da Line Solution prevê 100 MW, até 550 vagas e operação em 2031 às margens do Rio Doce
Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, entrou no mapa da corrida global por inteligência artificial. A holding capixaba Line Solution estrutura na cidade um data center voltado para IA com capacidade inicial de 100 megawatts (MW) e investimento estimado em R$ 7,4 bilhões, segundo A Gazeta. A previsão é começar a operar em 2031.
O projeto ainda está no papel: a fase atual é de engenharia, licenciamento ambiental e aprovação da conexão de energia, etapas que levam de 24 a 36 meses, segundo o CEO da empresa, Mário Rodrigues. Até a publicação desta matéria, não havia nota oficial do Governo do Espírito Santo nem da Prefeitura de Baixo Guandu sobre o empreendimento.
Projeto Rubi quer atender gigantes da tecnologia
O data center faz parte do chamado Projeto Rubi, um complexo de cerca de 566 hectares (234 alqueires) que também prevê um condomínio logístico intermodal e um condomínio industrial, segundo a Tribuna Online. A Line Solution detém um terço do negócio e responde pela concepção e pela infraestrutura. Pelo relato, mais de R$ 35 milhões em recursos próprios já foram usados na compra do terreno, que fica a nove quilômetros da cidade, de acordo com A Gazeta.
A ideia não é atender o mercado local. "Nossa intenção é processar e armazenar dados globais de clientes do mundo inteiro", disse Rodrigues ao jornal capixaba. Segundo a CPG Click Petróleo e Gás, o plano é fechar contratos de pré-locação de 20 anos, em dólar, com multinacionais de tecnologia antes das obras físicas.
Imagem: Divulgação
100 MW hoje, até 1 GW no futuro
Segundo A Gazeta, os 100 MW iniciais equivalem ao processamento de 15 a 20 milhões de pessoas assistindo a vídeos em 4K ao mesmo tempo. A estrutura é modular e pode chegar a 1 gigawatt (GW) se a demanda por IA crescer.
A conta dos R$ 7,4 bilhões vale para esse primeiro módulo. "Quando locarmos o espaço, entramos na fase do CapEx bilionário", afirmou Rodrigues à Tribuna Online. Antes disso, a fase de aquisição, projetos e licenciamento está estimada em R$ 150 milhões, e a empresa prevê rodadas de captação em São Paulo, Nova York e Xangai.
Empregos: maioria na fase de obras
Os números variam entre os veículos. A Tribuna Online fala em até 550 vagas, sendo cerca de 500 nas obras e 50 na operação. A Gazeta cita de 300 a 500 empregos diretos na montagem e nas obras civis, com cerca de 10% desse total ficando na operação, em funções técnicas.
Para a prefeitura, o atrativo é o imposto. Com faturamento anual previsto acima de R$ 1 bilhão, segundo o investidor, o ISS de 5% poderia render de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões por ano ao município, de acordo com A Gazeta.
Rio Doce, energia e a discussão sobre a água
A proximidade com o Rio Doce e com a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas pesou na escolha do local. O prefeito Lastênio Cardoso (MDB) disse ao jornal Século Diário que a água viria de uma represa no rio, segundo a CPG Click Petróleo e Gás.
A empresa afirma que o resfriamento será em circuito fechado, com reaproveitamento da água, e que a reposição mensal equivale ao consumo de três casas populares. O coordenador do Observatório Capixaba da Água e do Meio Ambiente, Merci Fardin, questiona o uso de água do projeto e pede que ele seja avaliado junto com outros empreendimentos previstos para a região. Até o fim do licenciamento, vagas e consumo de água seguem como estimativas do investidor.