Tecnologia

CEO da NVIDIA diz não se importar se crianças esquecerem matemática básica por causa da IA

Jensen Huang minimizou estudo sobre perda de aprendizado e admitiu não saber o próprio endereço

Mateus Lecchi Mateus Lecchi |
CEO da NVIDIA diz não se importar se crianças esquecerem matemática básica por causa da IA

Jensen Huang, CEO da NVIDIA, voltou a causar polêmica ao falar sobre inteligência artificial. Em entrevista ao podcast de Ezra Klein, do The New York Times, ele disse não ver problema se a IA fizer crianças esquecerem matemática básica.

Ao ser questionado sobre os efeitos da tecnologia no aprendizado, Huang reconheceu que algumas habilidades estão ficando de lado. Em tradução livre, ele comentou que é difícil hoje ver uma criança fazer uma divisão longa, que a tabuada começa a ser esquecida e que calcular raízes quadradas virou coisa rara. Na sequência, perguntou se isso importa e respondeu que, para ele, não importa.

Estudo chinês acendeu o debate

A conversa partiu de uma pesquisa feita na China, citada por Klein, com cerca de 26 mil estudantes. Segundo o estudo, as ferramentas de IA ajudaram os alunos a terminar as tarefas de casa mais rápido, mas o conteúdo não ficava na cabeça, e o desempenho em provas e testes caiu.

Huang não negou o efeito, mas o tratou como uma troca aceitável. Para ele, habilidades antigas vão desaparecer e outras novas vão surgir, com as pessoas se tornando melhores em pensar sistemas como um todo enquanto a IA cuida das tarefas mais repetitivas.

Jensen Huang tira foto com estudantes durante visita à Universidade Stanford

"Eu não sei meu endereço"

Para reforçar o argumento, o executivo usou o próprio exemplo. Ele contou que não sabe o endereço de casa, nem o CEP, nem o número do próprio telefone, e brincou que a esposa, Lori, pode confirmar a história.

A declaração repercutiu mal na imprensa especializada, em boa parte por vir do comandante da empresa que mais lucra com a corrida da IA. O Kotaku, por exemplo, classificou como vaga a ideia de que as pessoas vão compensar a perda dessas habilidades virando melhores "pensadores de sistemas".

Fonte: The New York Times

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