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CEO da Micron prevê falta de memória ainda pior em 2027 e 2028

Com 75% da produção de 2027 já vendida, Micron diz não saber quando a oferta volta ao normal

Mateus Lecchi Mateus Lecchi |
CEO da Micron prevê falta de memória ainda pior em 2027 e 2028

Quem estava esperando a memória RAM voltar a ficar barata vai ter que segurar a ansiedade por bastante tempo. Na teleconferência de resultados realizada em 30 de setembro, Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, avisou aos investidores que a situação de oferta e demanda de memória e armazenamento deve ficar "muito mais apertada" nos anos fiscais de 2027 e 2028 do que foi em 2026.

O executivo foi ainda mais direto ao admitir que a empresa simplesmente não enxerga um ponto de equilíbrio no horizonte. Segundo ele, mesmo com os planos da indústria de ampliar o espaço de salas limpas para fabricar DRAM, a demanda segue tão forte que a Micron não tem visibilidade de quando oferta e procura vão voltar a se encontrar.

Chips de memória DDR5 da Micron

Imagem: Micron

Produção de 2027 praticamente vendida

O dado que mais chama atenção é que 75% da produção da Micron prevista para 2027 já está comprometida com clientes. De acordo com Mehrotra, boa parte das conversas atuais com compradores já gira em torno de contratos para 2028, o que mostra até onde vai a disputa por chips de memória.

O CEO também explicou por que a capacidade não cresce na mesma velocidade da procura:

  • salas limpas levam muito tempo para serem construídas;

  • mesmo prontas, as fábricas aumentam a produção de forma gradual;

  • a memória HBM, usada em aceleradores de IA, consome muito mais capacidade de fabricação por bit.

IA no centro de tudo e resultados recordes

O motor dessa corrida é a inteligência artificial generativa. No comunicado oficial, Mehrotra resumiu a visão da empresa afirmando que a IA está se tornando uma "superinteligência" e que a memória amplia essa inteligência e a competitividade das plataformas dos clientes.

Para a Micron, o cenário é de festa. A companhia fechou o quarto trimestre fiscal de 2026 com receita recorde de US$ 54,2 bilhões, contra US$ 11,3 bilhões no mesmo período do ano anterior. No ano fiscal completo, o faturamento chegou a US$ 133,2 bilhões, e a previsão para o próximo trimestre é de US$ 61,5 bilhões.

Para quem monta ou atualiza PC, a leitura é bem menos animadora. Com fabricantes priorizando data centers e contratos de longo prazo, módulos de RAM, SSDs e até placas de vídeo devem continuar sentindo a pressão nos preços pelos próximos anos.

Imagem: Micron

Imagem: Micron

Fonte: Micron

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