The Callisto Protocol saiu incompleto por pressão da Krafton, diz Glen Schofield
Criador de Dead Space diz que foi forçado a lançar o jogo em plena pandemia e que se arrepende.
Glen Schofield, cocriador de Dead Space e diretor de The Callisto Protocol, voltou a falar sobre os bastidores do jogo de terror espacial lançado em dezembro de 2022. Em entrevista ao site GamesIndustry.biz, o veterano afirmou que a Krafton, dona da Striking Distance Studios, obrigou a equipe a lançar o jogo antes da hora, mesmo com o desenvolvimento sendo afetado em cheio pela pandemia de COVID-19.
"Fui forçado a lançar o jogo. Estou com raiva de mim mesmo, não há dúvida", disse Schofield. Ele contou que ficou chocado com a decisão justamente por causa do cenário da época: nos Estados Unidos, cerca de um milhão de pessoas morreram na pandemia, e ele perdeu um de seus melhores amigos.
Pandemia derrubou a equipe
Segundo o diretor, todos os meses de quatro a seis pessoas do estúdio ficavam doentes. Em alguns momentos, a pequena equipe que a Striking Distance mantinha na Espanha precisou parar os trabalhos, e o projeto chegou a ficar um tempo sem o time responsável pela renderização. "Fazer o jogo virou algo secundário, porque isso é sobre a vida. É sobre humanidade", afirmou.
Ao ser lançado, The Callisto Protocol recebeu críticas mistas e foi muito cobrado por problemas de desempenho, especialmente travamentos no PC. Schofield, que se aposentou da indústria em 2026 depois de não conseguir financiamento para um novo projeto, acredita que mais alguns meses de polimento teriam feito diferença.

86 patches depois
O diretor também disse que a Krafton passou a enxergar o jogo como um fracasso completo. Enquanto isso, o estúdio seguia trabalhando para consertar o que tinha ficado para trás. "O que eles não sabiam, enquanto só reclamavam, é que estávamos fazendo patches", contou. Segundo ele, a equipe só encerrou o suporte depois de finalizar todos os DLCs e lançar 86 atualizações, algumas pequenas e outras enormes, tudo para deixar o jogo onde ele deveria estar.
A história da Striking Distance terminou de forma amarga. O estúdio passou por uma onda de demissões em agosto de 2023, logo após o último DLC, e por outra em fevereiro de 2025. Schofield deixou a empresa em setembro de 2023.
Não é a primeira vez que ele aponta o dedo para a Krafton. Em 2024, em entrevista ao canal Dan Allen Gaming, o diretor já tinha dito que pediu cerca de três meses e meio a mais de desenvolvimento e que chegou a ouvir da publisher que teria esse tempo, o que acabou não acontecendo.
Fonte: GamesIndustry.biz