Vendas da ASML para a China disparam e país faz estoque de máquinas para memória
China saltou de 14% para 23% das vendas de sistemas da ASML no terceiro trimestre de 2026
A ASML, fabricante holandesa que domina o mercado de máquinas de litografia usadas na produção de chips, divulgou na quarta-feira (14/10) seus resultados do terceiro trimestre de 2026, e um detalhe chamou a atenção: a fatia da China nas vendas de sistemas da empresa deu um salto considerável.
De acordo com os gráficos apresentados pela própria ASML e destacados pelo TechPowerUp, o país asiático respondeu por 23% das vendas de sistemas entre julho e setembro, contra 14% no trimestre anterior. Taiwan segue na liderança, com 32%, seguida de perto pela Coreia do Sul, com 31%.
Trimestre recorde para a ASML
Os números gerais também impressionam. A empresa registrou faturamento total recorde de 11,7 bilhões de euros, margem bruta de 57,5% e lucro líquido de 5 bilhões de euros. As vendas de sistemas somaram cerca de 8,4 bilhões de euros, acima dos 6,6 bilhões do segundo trimestre, com 121 sistemas de litografia vendidos, contra 91 no período anterior.
Para o quarto trimestre, a ASML projeta receita entre 14,2 e 15,2 bilhões de euros, fechando 2026 com algo entre 44 e 45 bilhões. O CEO Christophe Fouquet afirmou que os clientes estão elevando as previsões de demanda puxados pelos investimentos em inteligência artificial, e que alguns já querem fazer pedidos para 2029 e até 2030. Segundo ele, a capacidade de produção da empresa em 2027 e 2028 não deve dar conta de toda a procura.

Imagem: ASML
Memória no centro da estratégia chinesa
O crescimento das compras chinesas se concentrou nas máquinas DUV (ultravioleta profundo), usadas na fabricação de chips de memória NAND e DRAM. Os principais nomes nessa frente são a YMTC, que lidera a produção de NAND no país, e a CXMT, maior fabricante chinesa de DRAM.
A leitura é de que a China quer aproveitar a forte demanda por memória, que vem encarecendo RAM e SSDs no mundo todo, e por isso estaria montando desde já a infraestrutura para ampliar sua produção ao longo dos próximos três anos.
Há também um componente geopolítico. A ASML já está proibida de vender suas máquinas EUV, as mais avançadas, para clientes chineses, e os Estados Unidos agora pressionam a Holanda para restringir também as exportações de equipamentos DUV. Um projeto de lei chegou a ser proposto para obrigar países aliados a cortar esses envios. Diante do risco de novas barreiras, é bem provável que as fabricantes chinesas estejam fazendo estoque de maquinário enquanto ainda podem.

Imagem: ASML
Fonte: ASML, TechPowerUp