Alia Domus: em RPG brasileiro, você reconstrói a civilização em outro planeta
Feito por um desenvolvedor solo, o jogo vai do Paleolítico à Era Digital e tem demo grátis na Steam
Primeiro, a notícia ruim: a Terra está exaurida e em guerra. Depois, a pior. Você é um dos primeiros colonos voluntários enviados para preparar o novo lar da humanidade, e o plano deu errado. A guerra na Metrópole cortou o envio de suprimentos, o suporte acabou e agora só restam você, um planeta desconhecido e as próprias mãos. Vazias.
É assim que começa Alia Domus, RPG de sobrevivência em pixel art que propõe um desafio do tamanho da própria história: "reescrever a história do progresso humano do absoluto zero". Na prática, isso significa começar lascando pedra no Paleolítico e chegar, lá na frente, às armas a laser da Era Digital.
Por trás dessa ambição está a Cat Crate Games, nome que assina o desenvolvimento e a publicação do jogo na Steam. E por trás da Cat Crate Games está, segundo o próprio criador, uma pessoa só. "Sou desenvolvedor solo brasileiro", escreveu ele em julho, ao apresentar o projeto a uma comunidade de jogos no Reddit. O lançamento está previsto para fevereiro de 2027, no PC, e uma demo gratuita já pode ser baixada na Steam.
Da pedra lascada ao laser
O coração de Alia Domus é a progressão tecnológica. "O conhecimento é a sua maior ferramenta de sobrevivência", resume a página oficial. A lógica acompanha a da própria história humana: coletar o que o ambiente oferece, usar esses recursos para pesquisar e desbloquear tecnologias e, ao dominar os avanços de um período, abrir as portas para o seguinte.
São nove eras no total, numa espécie de aula de história jogável: Paleolítico, Neolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro, Alta Idade Média, Baixa Idade Média, Idade Moderna, Era Industrial e Era Digital. O ponto de partida são ferramentas rudimentares feitas de pedra; o de chegada, defesas avançadas e armamentos a laser.
Segundo o desenvolvedor, cada nova era também libera receitas e opções de automação que, aos poucos, reduzem a necessidade de trabalho manual. A ideia, portanto, é que o jogo fique menos braçal à medida que a sua pequena civilização avança.

Imagem: Cat Crate Games
Um planeta replantado com espécies da Terra
Alia Domus não é um planeta qualquer. Na premissa explicada pelo criador, os ecossistemas de lá foram criados artificialmente, com diversas plantas levadas da Terra. Por isso, entre biomas de climas variados e cavernas misteriosas, o jogador encontra mais de 140 tipos de plantas para descobrir e coletar.
O cuidado aqui tem algo de trabalho de botânico. O desenvolvedor afirma que são espécies reais, 142 no total, e chegou a publicar um mapa que organiza todas elas pela região de onde são nativas. Ele mesmo admite ter sido "bastante enviesado" na escolha, com muitas espécies da América do Sul e da América Central, e contou que 17 das plantas do jogo são nativas do Brasil.
Parte dessa flora vai parar na lavoura. Há um sistema de cultivo de culturas agrícolas, pensado para garantir sustento e recursos durante a colonização.

Imagem: Cat Crate Games
Biomas, cavernas e 126 criaturas
Explorar é a outra metade da jornada. O mundo é formado por 85 mapas, cada um com seu próprio minimapa, e há um Mapa Mundi integrado em que dá para adicionar marcadores personalizados para lembrar de pontos importantes. A promessa da página oficial é explorar o planeta "sem medo de se perder".
Nem tudo é contemplação, porém. O planeta abriga 126 criaturas únicas, e enfrentá-las faz parte da sobrevivência: os combates rendem materiais e drops usados na fabricação. Nas imagens oficiais, a perspectiva isométrica passeia por florestas de pinheiros, praias com coqueiros, desertos, vilas de casas de pedra e cavernas escuras. O trailer mostra um pouco desse mundo em movimento:
Atributos com sotaque de Ragnarok Online
Quem jogou Ragnarok Online vai reconhecer algumas siglas. Em Alia Domus, tudo o que você faz no mundo gera experiência, e os pontos conquistados vão para cinco atributos centrais: Força, Agilidade, Destreza, Inteligência e Vitalidade. Na interface em inglês das imagens oficiais, eles aparecem como STR, AGI, DEX, INT e VIT.

Imagem: Cat Crate Games
A semelhança não é coincidência. Num post para a comunidade de Ragnarok Online no Reddit, o criador contou que passou incontáveis horas no MMORPG e que, ao desenhar a progressão do personagem, quis recuperar aquela sensação clássica de distribuir pontos e montar a própria build.
Missões no seu tempo
A história avança por missões. As primeiras diretrizes vêm do manual de comando da Metrópole, e os NPCs que vivem em Alia Domus também pedem ajuda. Numa das imagens oficiais, por exemplo, uma personagem chamada Labrit G. se apresenta como líder de um modesto assentamento batizado de Novus Arbor e admite que a comunidade luta para sobreviver dia após dia.
Ninguém é obrigado a correr, no entanto. A página da Steam garante liberdade para ignorar as quests temporariamente, explorar o mundo e se aperfeiçoar no próprio ritmo.

Imagem: Cat Crate Games
Um jogo de uma pessoa só
Segundo o criador, Alia Domus está em produção há quatro anos, e ser desenvolvedor solo, no caso dele, inclui também a música. Na arte, ele contou que buscou um pixel art coeso, com retratos dos personagens em resolução um pouco maior que a usada em Stardew Valley. A trilha sonora, segundo ele, foi composta inteira com instrumentos virtuais (VSTs) no programa Reaper.
Com franqueza, ele reconhece que quem precisa "fazer todos os papéis" vive atrás do equilíbrio entre entregar o trabalho e manter um padrão mínimo de qualidade, mas diz estar feliz com as composições. Na página oficial, a trilha é descrita como "composta para dar o peso exato" à jornada de construção civilizacional.
A página do jogo na Steam foi ao ar em julho, e desde então o criador vem apresentando o projeto em comunidades do Reddit em vários idiomas, do português ao húngaro. Alia Domus terá interface e legendas em português do Brasil e em espanhol da América Latina; o inglês tem também áudio, segundo a ficha da loja.
Lançamento, demo e requisitos
Alia Domus está previsto para fevereiro de 2027, no PC (Windows), pela Steam. O preço ainda não foi divulgado. Quem quiser dar os primeiros passos no planeta antes disso já pode baixar a demo gratuita direto na página do jogo na Steam.
Os requisitos mínimos são modestos: Windows 10 de 64 bits, processador dual core de 2.0 GHz, placa de vídeo compatível com DirectX 11 e com pelo menos 1 GB de memória dedicada, e 500 MB de espaço livre. Na Steam, o jogo aparece com classificação indicativa de 10 anos, por atos criminosos e violência fantasiosa.
Para um jogo sobre reconstruir a civilização a partir de uma pedra lascada, faz sentido que ele também esteja sendo erguido tijolo por tijolo, por uma pessoa só. A demo está aí para quem quiser conferir se a fundação aguenta o peso das nove eras.
Fonte: Steam